segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Uma Transa Gramatical

Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco - (Recife), que venceu um concurso interno, promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa. Goze do prazer de ler esse texto:
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas comum maravilhoso predicado nominal.Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice..De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmen teoxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimose substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio nahistória. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

“Viver com Aids é possível. Com o preconceito não.”

Esse foi o tema escolhido para as atividades do Dia Mundial de Luta contra a Aids, 1º de dezembro. Na Bahia, desde 1984, quando foi notificado o primeiro caso de Aids, até o ano passado, os dados da Secretaria de Saúde do Estado mostram o registro de 10.234 casos da infecção, sendo 9.891 na população adulta. No total de casos de Aids acumulados em todo o Brasil, incluindo a Bahia, a maioria foi registrada em homens, embora a partir de meados dos anos 90, venha se observando que a taxa de incidência diminui entre os homens e cresce entre as mulheres - o Ministério da Saúde aponta para o crescimento de 44% na infecção por HIV entre as mulheres, no período de 1995 a 2005.
Dados divulgados recentemente pelo Ministério da Saúde indicam que os grandes centros urbanos do país – onde estão concentrados 52% dos casos de Aids – registraram queda de 15% na taxa de incidência da doença entre 1997 e 2007. Nesse mesmo período, a incidência nos municípios com menos de 50 mil habitantes dobrou, revelando que a epidemia caminhou para o interior do país. Em 1997, a taxa nas cidades com menos de 50 mil habitantes era cerca de oito vezes menor do que a registrada nas cidades com mais de 500 mil pessoas, e em 2007, essa relação caiu para três vezes.

Água perigosa

O Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ) e a Secretaria de Saúde (Sesab) notificaram as Prefeituras Municipais de Caetité, Lagoa Real e Livramento de Nossa Senhora, na região Sudoeste do Estado, a suspenderem, preventivamente, o consumo de água de seis poços e mananciais superficiais que são utilizados por parte da população da zona rural destes municípios.De acordo com os resultados da última campanha de coleta de amostra de água na região, realizado no final de setembro pelo INGÁ, foi detectada a presença de radioatividade alfa e beta acima do permitido pela portaria 518/04 de potabilidade de água do Ministério da Saúde.
Novas análises detalhadas foram realizadas pelo INGÁ no mês de novembro nos mesmos locais para investigar qual o elemento que está provocando a radiação na água. A investigação vai apontar de onde vem o elemento emissor de radioatividade dos poços artesianos e lagoas da região, além da indicação do melhor tratamento para se retirar o elemento radioativo da água. A previsão de divulgação destes resultados é de 20 dias. Por medida de precaução, a recomendação do Governo da Bahia é de que as Prefeituras Municipais indiquem formas alternativas de abastecimento de água para a população destas regiões.
A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) abastece as populações da zona urbana dos referidos municípios com água potável e tratada. Esta água não oferece qualquer risco à saúde humana. Além disso, a Embasa realiza rotineiramente a análise da água de todos os mananciais utilizados para consumo humano, segundo informa a Assessociaria de Comunicação do Ingá.

A implantação do Hotel Hilton em Salvador

Vereadores de Salvador vão se reunir, neste primeiro dia de dezembro, com a procuradora Carolina Rocha Queiroz, no Ministério Público Federal, para discutir a suspensão da liminar que impende a construção do Hotel Hilton, no Comércio. As obras do hotel estão paralisadas há cinco meses, embora o projeto, que será construído pelo Grupo Imocom, “atenda às exigências técnicas e legais determinadas pelos órgãos públicos competentes”, afirma o diretor de construção e incorporação, Duarte Sanganha. A rede americana Hilton tem cerca de 2.900 hotéis e 500 mil quartos em mais de 80 países. A chegada do Hotel Hilton em Salvador representa um investimento de R$100 milhões e a criação de 500 empregos diretos, de acordo com Sanganha. “O hotel será um importante passo para a revitalização da região e uma âncora de atração de outras redes hoteleiras de grande porte para o Comércio. Precisamos defender a sua implantação”, comentou o vereador Henrique Carballal.O grupo português Imocom, com sede em Lisboa, atua nos ramos da construção, imobiliário, do turismo, da indústria de material de construção, da exploração de pedreiras e de água.

domingo, 29 de novembro de 2009

O vôo do Falcão


O que diferencia os falcões das demais aves de rapina é o fato de terem evoluído no sentido de uma especialização no vôo em velocidade.O de João Falcão já dura 90 anos e especializou-se em economia, justiça, comunicação e política. O ex-banqueiro, deputado-federal, integrante do Partido Comunista do Brasil, ccomemora o feito e, em entrevista exclusiva à Tribuna da Bahia, revelou a este repórter ser “ um homem feliz” e antenado com o futuro da Bahia e do Brasil.
Ele está às vésperas de lançar o livro “ Valeu a pena”, o oitavo escrito à mão.
A política baiana e brasileira é vista hoje com otimismo da parte do ex-deputado João Falcão, que ao final do mandato em 1958 optou por se dedicar ao jornalismo: “O Brasil evoluiu. A verdade crua e nua é que a elite brasileira, que governou o Brasil durante 100 anos, deixou o país com milhões de analfabetos, com uma população miserável, sem emprego, como potência de terceira categoria. Nos últimos anos, com o governo do presidente Lula, apesar de muitas restrições que eu faço, no geral o Brasil cresceu, aproveitou bem a conjuntura mundial, e hoje com a atuação extraordinária e indiscutível do presidente Lula, um estadista, o Brasil figura entre as principais nações do mundo. A Bahia também evoluiu depois do carlismo, que eu considero uma tragédia na vida do estado, e vai reencontrando o seu caminho através de governos mais populares. Eu sou otimista em relação ao Brasil e a Bahia”.

Sem diploma de jornalista, João Falcão tornou-se um dos mais atuantes escribas da Bahia, sobre o que comenta: “ Mas o jornalismo esteve na minha vida desde quase que a minha infância, porque no ginásio da Bahia, em 1935, 36, eu e alguns colegas fundamos o grêmio Pedro Calmon, que tinha um jornalzinho e eu eu era o encarregado. Foi a primeira experiência, entre 15 e16 anos. O jornalismo está na alma e na minha vida. O jornalista deve estar preparado para esta função tão importante e nobre, porém, eu acho que devia haver liberdade e não a obrigação da exigência de um diploma, porque o jornalismo é uma vocação e muitos diplomados não têm vocação. De modo que eu acho isso, que o essencial é que o jornalismo é uma vocação e não deve ser obrigatório o diploma”, declarou.
O livro “ Valeu a pena- Desafio da minha vida” é a história dos 90 anos de João Falcão. Na abertura da publicação o autor dirige-se ao leitor dizendo que “ aqui está um relato simples de uma vida dígna, resumido numa frase que tomo emprestado de Fernando Pessoa- poeta português -: Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Ao final da narrativa conclui: “ Vivi intensamente. Das causas que abracei, com muito amor e paixão no decorrer dos meus noventa anos, nenhuma foi maior do que a da vitória dos aliados contro o eixo nazi-facista. O que estava em jogo era a liberdade dos povos”.
João Falcão pretende que o plano do vôo existencial rompa a faixa dos 100 anos, com a mesma lucidez e serenidade. “ Apesar da vida difícil que eu levei, sempre consegui superar os dramas e ter uma mente tranquila”, declarou.

Ministra Eliana Calmon do STJ abre o verbo

A ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, durante encontro com os integrantes do Rotary Club da Bahia, na Casa do Comércio, declarou com exclusividade para este repórter, em matéria publicada na Tribuna da Bahia, fazer restrições às prisões temporárias que ocorrem no país e ser a favor da “prisão preventiva que eu sempre aplico nos meus processos. Porque na prisão temporária, o preso fica nas mãos da polícia e na prisão preventiva não, o poder judiciário é que dita as ordens”. Ela também comentou que o Brasil hoje passa por uma fase que considera “difícil, em razão do problema ético. Nós estamos muito voltados para situações onde a ética não entra como ingrediente e isso é um retrocesso”.
Eliana Calmon observou que “de qualquer forma a economia parece que está indo e, devagarzinho, nós estamos evoluindo”. Ainda pronunciando-se sobre as prisões temporárias, ela atentou para o fato de que “agora, o Supremo diz que o juiz que prende, não pode instruir então cada vez mais os juízes não estão prendendo, ou seja, para ficar na sua responsabilidade. Com a prisão temporária, o juiz não assume a responsabilidade que fica na mão da polícia”.
A maior autoridade judiciária do país fez uma explanação para os rotarianos sobre o Poder Judiciário, externando que “nós temos dificuldades em entender, esta aparente desordem na casa da Justiça”.
Eliana Calmon traçou um panorama da Justiça e começou citando como referência a revolução francesa considerada um marco zero na história da humanidade, porque foi a partir dela que o estado foi dividido para ser Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário.
“A grande inovação é que os cidadãos, que eram de segunda categoria se não tivessem em redor do Rei, começaram a ser cidadãos a quem se outorgou direitos. Todos são iguais perante a lei. E nós pensamos que aquilo estava concluído. Mas o que aconteceu é que a história mostrou que não era bem assim. Dar direitos não é nada. É preciso que às pessoas tenham acesso a estes direitos. Por que tantas pessoas passam a ser desiguais em uma sociedade absolutamente igualitária? Se todos são iguais perante a lei, como é que eu explico esta pobreza absoluta e esta marginalidade que entra pelos nossos olhos?”, questionou.
“O Poder Legislativo não era mais aquele senhor absoluto para fazer as leis, porque este poder passava a ter a interferência direta do poder econômico. E as leis feitas pelo Legislativo, não eram leis feitas direcionadas à cidadania, mas para favorecer os grupos econômicos”. Segundo a ministra, enquanto as nações civilizadas faziam uma revisão crítica deste contexto, o Brasil se atrasou, “principalmente em razão dos graves problemas políticos. Durante a época da revolução de 64 nós não podíamos falar em mudanças de paradigmas”, lembrou, acrescentando que a revisão crítica do Brasil aconteceu na Constituição de 1988, que “encontrou o Poder Judiciário absolutamente esfacelado”.
Na opinião da Ministra, a sociedade brasileira é “uma sociedade ímpar, com resquícios de feudalismo ainda bastante muito acentuados. Temos grandes dificuldades em não termos uma elite intelectualizada” e considerou que todas as revoluções sociais ocorridas no país “não foram feitas para o povo, mas feitas pelas elites e para as elites, que encontrou um poder judiciário instaurado para servir a este grupo. O Poder Judiciário brasileiro é um poder que chancela aquilo que o poder econômico quer. Nós atravessamos quase toda a República dentro deste padrão de juiz”, afirmou.
Conforme a ministra, a Constituição de 88 representou a queda do paradigma. “Passamos a ter a idéia de que o Poder Judiciário é um poder forte. É onde nós vamos buscar todo o arcabouço para o regime democrático”. Eliana Calmon observou também que as mudanças encontraram um Poder Judiciário com “uma base absolutamente esfacelada, porque a nova geração começa a sair das universidades. Através de um concurso público esses meninos, com 23, 24 anos, se tornam magistrados, e não têm formação adequada. Quer dizer, um juiz dá uma liminar, sem qualquer responsabilidade quanto ao reflexo econômico daquela sua decisão, de tal forma que eles arrebentam uma empresa sem saber que está arrebentando e dizendo que está cumprindo a lei”, declarou sob aplausos do auditório. “Esta situação é absolutamente normal sob o ponto de vista sociológico, porque ele não teve a formação adequada para ser o agente político que precisa ser. Os mais antigos, e que estão na cúpula, não dão exemplos, porque foram formados num modelo anterior, de subserviência ao poder”, acrescentou.
Com o início das exigências da sociedade, Eliana Calmon observou que o Poder Judiciário passou a ser repensado. “Este repensar tem sido muito lento, pela nossa cultura, origens e pela resistência de quem viveu muito tempo numa boa, sem ter que prestar satisfação a ninguém”. Entretanto, segundo a ministra, à medida que a magistratura não está mais a serviço do legislador “começa a haver a grande desordem, porque, a título de não atender a lei, e sim à Constituição, a imaturidade da magistratura passa a ter alguns reflexos de decisões incensatas. Dentro desta confusão vem a reforma do Judiciário, que levou mais de dez anos tramitando”.
A ministra disse que “a magistratura é maravilhosa para os juízes, porque, paga bons salários, dá status social e ninguém cobra o seu trabalho”. Ao comentar sobre a reforma do judiciário, “que não é a desejada”, Eliana Calmon citou avanços no processo, como a criação do Conselho Nacional de Justiça, que em sua opinião hoje faz um trabalho “realmente fantástico”, proporcionando uma série de mudanças.
“Pela primeira vez neste país, se colocou às mãos dentro dos tribunais de Justiça. Eu dizia isto e diziam que eu era exagerada: Desembargador é o trombadinha da República, porque enquanto os legislativos estão aí, enchendo as burras, o judiciário se satisfaz com empreguinhos e cargos em comissões para parentes e aderentes. A primeira coisa que o CNJ fez foi expurgar o nepotismo. Mas é difícil acabar este vício histórico. Temos que ter paciência, mas deu-se o passo inicial”, concluiu a ministra que foi aplaudida de pé.

Carybé, Verger & Caymmi em livro

Fundação Pierre Verger lança livro Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia no Palacete das Artes. A publicação trata da amizade dos três artistas e tem como tema ‘o Mar da Bahia’, cantado e pintado por Caymmi, fotografado por Verger e desenhado e pintado por Carybé.


A Fundação Pierre Verger, a PricewaterhouseCoopers (PwC) e a Solisluna Design Editora vão lançar, em Salvador, o segundo livro da Trilogia Entre Amigos “Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia” no dia 02 de dezembro, às 19h, no Palacete das Artes. O livro celebra a arte e, sobretudo, a grande amizade entre esses personagens e criadores do século XX que escolheram a Bahia e o jeito de viver de sua gente como motivo e cenário para suas obras. O mar da Bahia foi o grande inspirador, quiçá uma fonte de encantamento determinante para as artes, odes de amor à terra e ao povo baiano dessas três personalidades de origens distintas, mas com olhares e percepções convergentes: o fotógrafo e pesquisador francês Pierre Verger; o argentino-baiano pintor de múltiplos fazeres Carybé e o músico baiano, também pintor nas horas vagas, Dorival Caymmi.

“É um orgulho e uma honra apresentar esse trabalho sobre os ‘três baianos fundamentais’ que desenharam, fotografaram e cantaram a Bahia de uma forma indelével”, afirma Gilberto Sá, presidente da Fundação Pierre Verger. Em Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia, o leitor irá perceber o colorido das fotos em preto e branco da velha rolleiflex do gênio Verger, bem como toda a riqueza dos traços singulares de Carybé, prenhes de movimento e poesia que retratam o cotidiano da época em que as velas dos saveiros enfeitavam o azul das águas da Baía de Todos os Santos e ainda se presenciava a pesca do xaréu nas praias do litoral norte da histórica Salvador. Tudo isso embalado pelas magníficas canções praieiras de Caymmi, poesia pura na sua voz grave e num violão com sonoridade de ondas na praia.

“Não é um livro de arte, e sim da amizade entre três artistas”, define bem o editor Enéas Guerra, idealizador da publicação da série ‘Entre Amigos’ e responsável pela concepção, edição e design do livro. Do ponto de vista editorial, o texto indica os caminhos que levarão o leitor ao encontro dos três personagens e suas criações em torno da magia do mar.

“A ideia do escrito é incitar o leitor a vivenciar como foi a intensa relação entre eles e relatar, de forma leve e bem humorada, os encontros, as curiosidades e os olhares convergentes destes símbolos da baianidade”, conta o jornalista José de Jesus Barreto, autor do texto que é fundamentado em pesquisas do acervo da Fundação Pierre Verger, da família Carybé, entrevistas e depoimentos.

O diálogo das imagens captadas pela rolleiflex de Verger e pelos traços de Carybé, produzidos entre os anos 40 e 60 do século passado, está cerzido pelos poemas de Caymmi. O pescador cantado por Caymmi é ‘o mesmo’ fotografado por Verger, desenhado por Carybé. Os saveiros que chegam e saem do cais e rasgam as águas da baía, as festas para Iemanjá, o Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Conceição da Praia servem de inspiração para as canções-poemas, as pinturas e as fotos dos artistas - conteúdo desse trabalho. O mar é o caminho, elo, destino e musa. O livro pretende ser uma celebração de amizade e da criação deles diante dos mistérios do reino de Iemanjá.